Golpes contra famílias de presos: como se proteger
Poucas situações deixam uma família tão vulnerável quanto ter alguém preso: falta informação, sobra medo, e qualquer promessa de solução rápida soa como tábua de salvação. Golpistas sabem disso e montaram roteiros específicos para essas famílias, do falso advogado ao falso alvará pago. Este guia descreve os golpes mais comuns, entrega regras simples que desmontam praticamente todos eles e mostra onde denunciar em Minas Gerais.
Por que famílias de presos viram alvo
O golpista procura três ingredientes: urgência, emoção e desinformação. A família de uma pessoa recém-presa tem os três ao mesmo tempo. Ela quer notícias, não conhece os trâmites e faria quase qualquer coisa para ajudar quem está lá dentro.
As informações que alimentam esses golpes vêm de fontes variadas: conversas em portas de fórum e de presídio, grupos de redes sociais, perfis abertos com fotos e desabafos, e dados vazados que circulam por aí. Com nome, unidade e situação aproximada do processo, o criminoso monta uma história convincente.
Entender isso muda sua postura: não é ingenuidade sua, é uma indústria montada. E ela quebra quando você conhece os roteiros de antemão.
O falso advogado: a promessa de soltura por dinheiro
O roteiro clássico: liga alguém educado, com vocabulário jurídico, dizendo ser o advogado do caso ou ter sido indicado por alguém de dentro. Afirma que existe uma decisão pronta, um acordo com o juiz ou uma brecha que solta seu familiar em dias, bastando pagar honorários, custas ou uma taxa, sempre com urgência e sempre por Pix ou depósito.
Advogado de verdade se identifica com nome completo e número de inscrição na OAB, que você confere gratuitamente no Cadastro Nacional dos Advogados, no site do Conselho Federal da OAB. Trabalho sério se contrata com conversa olho no olho ou videochamada verificável, contrato escrito e recibo. Juiz não faz acordo por fora, e ninguém tem decisão engavetada esperando pagamento.
Um teste simples derruba a farsa: peça o número da OAB, o nome completo e diga que vai retornar após confirmar. Golpista pressiona para decidir na hora; profissional de verdade entende a checagem e até elogia.
O falso alvará de soltura: ninguém paga para sair da cadeia
Grave esta frase, porque ela desmonta um dos golpes mais caros: alvará de soltura não se paga. Quando a Justiça manda soltar alguém, o documento é expedido e cumprido pelos órgãos públicos sem cobrança de taxa à família. Não existe boleto de alvará, Pix de liberação nem custas pagas na conta de pessoa física.
O golpe aparece de vários jeitos: ligação dizendo que o alvará está pronto e só falta a taxa de cartório, mensagem com foto de documento falsificado cheio de carimbo, intermediário que promete agilizar por um valor. O documento pode até parecer verdadeiro, com brasão e assinatura, porque falsificar imagem é fácil.
Na dúvida, confirme com quem realmente acompanha o processo: o defensor ou o advogado contratado sabe se há decisão de soltura. Sem eles, a consulta ao processo pelo site do tribunal, quando não é sigiloso, também mostra as movimentações reais.
Falso sequestro e emergências inventadas
Ligações com choro, gritos e uma voz dizendo que seu familiar está em perigo dentro ou fora do presídio, exigindo depósito imediato, são encenação com roteiro pronto. Quem está preso está sob custódia do Estado, e situações reais de risco se tratam pelos canais da unidade, do defensor e dos órgãos de fiscalização, jamais por Pix urgente.
A variação da emergência médica também circula: dizem que houve briga, acidente ou doença súbita e que o hospital ou alguém de dentro cobra por atendimento ou remédio. O atendimento de saúde da pessoa presa é dever do Estado; cobrança por fora nesse contexto é sinal de fraude.
Nos dois casos, o antídoto é o mesmo: desligue, respire e confirme pela unidade ou pelo defensor antes de qualquer movimentação de dinheiro.
As regras de ouro que desmontam quase todo golpe
Primeira: nenhum pagamento decidido sob pressão de ligação ou mensagem, nunca. Segunda: decisão judicial não se compra, não se adianta e não tem taxa por fora, e isso vale para alvará, audiência, progressão e transferência. Terceira: identidade se confirma em canal independente, ou seja, você desliga e liga de volta para o número oficial da unidade, da Defensoria ou do escritório do advogado.
Quarta: dados são munição, então evite espalhar em redes sociais a unidade, os dias de visita e detalhes do processo, e desconfie de quem pede fotos de documentos por mensagem. Quinta: busque informação em fontes estáveis, não em boato de grupo. Para as regras de envio de itens e informações da unidade, por exemplo, consulte a página da unidade no mandajumbo.com em vez de confiar em correntes de WhatsApp.
Combine essas regras com todos da casa, inclusive os mais velhos, que são os alvos preferidos das ligações. Golpe se previne em família, antes de o telefone tocar.
Caí num golpe: o que fazer agora
Aja rápido com o banco: comunique a fraude imediatamente pelo aplicativo ou pela central, peça a contestação da transação e pergunte sobre o mecanismo de devolução de valores em Pix fraudulento. Quanto mais cedo o banco é avisado, maior a chance de bloquear o dinheiro na conta de destino.
Registre boletim de ocorrência, presencialmente ou pela Delegacia Virtual da Polícia Civil de Minas Gerais, anexando prints, comprovantes, números de telefone e chaves Pix usadas. O boletim é essencial para a investigação e para as tratativas com o banco.
Não se culpe nem esconda o que houve. Esses golpes derrubam gente de todo nível de instrução justamente porque exploram amor e medo. Contar o que aconteceu para outras famílias na porta da unidade quebra o ciclo e protege a próxima vítima.
Perguntas frequentes
Como confirmo se o advogado que me ligou existe de verdade?
Peça nome completo e número de inscrição na OAB e confira no Cadastro Nacional dos Advogados, disponível no site do Conselho Federal da OAB. Depois, confirme com seu familiar ou com o defensor se essa pessoa realmente atua no caso. Recusa em passar a OAB já é resposta.
Existe taxa para cumprir alvará de soltura?
Não. Quando a Justiça determina a soltura, o cumprimento é feito pelos órgãos públicos sem cobrança à família. Qualquer pedido de dinheiro para liberar, agilizar ou carimbar alvará é golpe, por mais oficial que o documento apresentado pareça.
Ofereceram adiantar o processo do meu marido por um valor. Pode ser verdade?
Não pode. Processo anda por decisão de juiz e por trabalho técnico de defesa, e ninguém vende posição na fila da Justiça. Quem promete isso está cometendo crime contra você. Denuncie e informe seu defensor ou advogado.
Onde denuncio golpe contra família de preso em MG?
Registre boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela Delegacia Virtual da Polícia Civil de Minas Gerais, levando prints, comprovantes e os dados usados pelo golpista. Se houve transferência de dinheiro, avise também o seu banco imediatamente para tentar o bloqueio dos valores.
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