Telefonema do presídio: como funciona e golpes comuns
O telefone toca, número desconhecido, e o coração dispara: será que é ele? Para a família de uma pessoa presa, cada ligação carrega esperança e medo ao mesmo tempo, e é exatamente essa emoção que os golpistas exploram. Este guia explica como funcionam as ligações autorizadas nas unidades prisionais, por que celular lá dentro é sempre irregular e como reconhecer, em segundos, o golpe do falso sequestro e o do falso advogado.
Preso pode ligar para a família?
Existe a possibilidade de contato telefônico autorizado em muitas unidades, mas de forma controlada: em horários definidos, por aparelhos da própria unidade e dentro das regras de cada local. Não é um telefone livre; é um benefício administrado pela direção, que varia bastante de unidade para unidade.
Em geral, o contato autorizado acontece com pessoas ligadas ao preso, muitas vezes as mesmas cadastradas para visita. A frequência e a duração das chamadas dependem da rotina de cada unidade, então não estranhe se a família de outro preso relatar um esquema diferente do seu.
Para saber como funciona na unidade do seu familiar, pergunte ao setor de atendimento à família ou no dia da visita. Aproveite e confira também as demais regras da unidade, inclusive a lista do kit postal, que está na página dela no mandajumbo.com.
Celular dentro do presídio: sempre irregular
Não existe celular autorizado com o preso. Aparelho telefônico dentro da cela é falta grave, com consequências sérias para quem é flagrado, incluindo prejuízo na progressão de regime e novo processo.
Isso importa para você por dois motivos. Primeiro: jamais aceite pedido para enviar celular, chip ou carregador, por qualquer meio; além de crime, a triagem existe justamente para barrar isso. Segundo: se alguém liga do nada dizendo ser seu familiar com um celular escondido, trate a ligação com desconfiança total, porque esse é o cenário preferido dos golpistas.
Número desconhecido chorando no telefone: respire antes de agir
O golpe mais cruel contra famílias de presos usa exatamente a saudade e o medo. Alguém liga, muitas vezes de madrugada, com voz chorosa ou abafada, dizendo ser seu filho, marido ou irmão, e emenda uma história urgente: foi transferido, está ameaçado, sofreu um acidente, precisa de dinheiro agora.
A pressa é a assinatura do golpe. O golpista não deixa você pensar, não deixa você desligar, insiste que é questão de vida ou morte e que ninguém pode saber. Pessoa presa de verdade, em contato autorizado, não pede Pix urgente em ligação surpresa.
Na dúvida, faça o teste do silêncio: peça para a pessoa dizer o nome completo dela, o nome da mãe e um fato que só o seu familiar saberia. Golpista trabalha com roteiro genérico e se atrapalha com perguntas específicas.
Falso sequestro e falso advogado: os dois roteiros que mais fazem vítimas
No falso sequestro, o golpista afirma que seu familiar está em poder de um grupo dentro ou fora do presídio e que só um depósito imediato o salva. Usa gritos, choro e ameaça ao fundo para impedir você de raciocinar. É encenação: quem está preso está sob custódia do Estado, e problema real dentro da unidade se resolve pelos canais oficiais, nunca por Pix para desconhecido.
No golpe do falso advogado, alguém bem-falante liga se apresentando como advogado do seu familiar e diz que conseguiu uma decisão para soltá-lo, faltando apenas pagar uma taxa, uma custa ou um alvará. Alvará de soltura não se compra e a Justiça não cobra por telefone. Advogado sério apresenta contrato, número de inscrição na OAB e nunca exige depósito em conta de pessoa física para liberar alguém.
Os dois roteiros têm o mesmo antídoto: desligue e confirme por um canal que você conhece. Ligue para a unidade prisional, para o advogado ou defensor que realmente acompanha o caso, ou para outro parente que possa checar. Minutos de confirmação salvam meses de economia.
Como se proteger no dia a dia
Combine com a família uma regra fixa: ninguém faz depósito ou Pix por causa de ligação, seja qual for a história, sem antes confirmar com a unidade ou com o defensor. Deixe os telefones da unidade e da Defensoria anotados em papel, num lugar de fácil acesso, para não depender de busca na hora do nervoso.
Evite expor detalhes nas redes sociais: nome da unidade, dia de visita, situação do processo. Golpistas pesquisam perfis para deixar a história convincente. Quanto menos informação pública, mais frágil fica o roteiro deles.
Se receber uma ligação suspeita, anote o número, o horário e o que foi dito, e registre boletim de ocorrência, que pode ser feito pela internet na Polícia Civil de MG. Se chegou a transferir dinheiro, avise seu banco imediatamente e leve os comprovantes ao registro da ocorrência.
Perguntas frequentes
Recebi ligação a cobrar de alguém dizendo ser meu filho preso. Pode ser verdade?
Trate com máxima desconfiança, principalmente se houver pedido de dinheiro. Faça perguntas que só ele saberia responder, desligue e confirme com a unidade ou com o defensor. Contato autorizado de verdade não vem acompanhado de pedido de Pix urgente.
Advogado pode cobrar por telefone para soltar alguém?
Honorários de advogado existem e são legítimos, mas se combinam com contrato, de preferência por escrito e com identificação verificável na OAB. Cobrança por telefone para pagar alvará, taxa de soltura ou acerto com juiz é golpe: decisão judicial não se compra.
Como cadastro meu número para receber ligações do meu familiar?
O procedimento varia por unidade: em geral está ligado ao cadastro de visitantes e às regras internas de contato. Pergunte no setor de atendimento à família da unidade onde ele está qual é o caminho por lá.
Posso mandar celular ou chip escondido no jumbo?
Não, em hipótese nenhuma. Celular com preso é sempre irregular, o envio é crime, a triagem é feita para detectar e o seu familiar responde por falta grave, atrasando a progressão dele. Nenhum contato vale esse preço.
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